Práticas abusivas nas relações de consumo: 3 riscos que podem gerar passivos para a empresa
22 de setembro de 2026

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Práticas abusivas nem sempre aparecem de forma evidente na operação de uma empresa. Em muitos casos, elas estão incorporadas a processos comerciais, contratos, políticas de cobrança ou estratégias de venda que já fazem parte da rotina do negócio.

O problema costuma surgir posteriormente, quando uma prática até então considerada habitual resulta em uma reclamação de consumidor, fiscalização de órgãos de defesa do consumidor, autuação administrativa ou ação judicial.

Por isso, a prevenção jurídica nas relações de consumo não deve se limitar à revisão de contratos. É necessário analisar também como a empresa vende, cobra, oferece produtos, estrutura condições comerciais e se relaciona com seus clientes.

Entre as situações que merecem atenção estão a venda casada, a cobrança por serviços não solicitados e a exigência de vantagem manifestamente excessiva.

1. Venda casada: quando uma contratação é condicionada a outra

A venda casada ocorre quando o consumidor precisa adquirir um produto ou contratar um serviço adicional para ter acesso àquilo que efetivamente deseja comprar.

O Código de Defesa do Consumidor considera abusivo condicionar o fornecimento de um produto ou serviço à aquisição de outro produto ou serviço.

Na prática, o risco nem sempre está em uma regra expressa determinando que o cliente seja obrigado a contratar dois itens conjuntamente. A irregularidade também pode estar na própria estrutura da oferta comercial.

Imagine, por exemplo, uma empresa que disponibiliza determinado serviço apenas quando o consumidor também contrata uma solução complementar, mesmo quando tecnicamente seria possível adquiri-los de forma independente.

O ponto central é preservar a liberdade de escolha do consumidor.

Para as empresas, isso exige atenção especial à construção de pacotes comerciais, políticas de desconto, produtos agregados e regras estabelecidas pelas equipes de vendas.

2. Cobrança por serviço não solicitado

Outro ponto sensível é a inclusão de produtos, serviços, seguros, assinaturas ou outras cobranças sem autorização prévia e inequívoca do consumidor.

Uma contratação válida pressupõe informação adequada e manifestação de vontade.

Por isso, empresas que trabalham com serviços adicionais, planos complementares, renovações, upgrades ou cobranças recorrentes precisam estabelecer mecanismos claros de consentimento.

O risco aumenta quando a contratação está vinculada a processos automatizados ou jornadas digitais nas quais o consumidor pode não perceber com clareza que está aderindo a uma nova obrigação financeira.

Nesses casos, além da análise jurídica dos termos apresentados ao consumidor, é importante revisar a própria experiência de contratação.

Botões, caixas previamente selecionadas, informações pouco visíveis ou comunicações ambíguas podem transformar uma estratégia comercial em fonte de questionamentos jurídicos.

3. Vantagem manifestamente excessiva

Nem toda condição prevista em contrato é necessariamente legítima apenas porque foi aceita pelo consumidor.

O Código de Defesa do Consumidor também estabelece limites para situações em que o fornecedor exige vantagem manifestamente excessiva.

Esse risco pode aparecer, por exemplo, em multas desproporcionais, restrições excessivas, obrigações desequilibradas ou condições comerciais que transfiram ao consumidor riscos que deveriam permanecer com o fornecedor.

A análise depende do contexto de cada relação contratual.

Por isso, empresas que utilizam contratos padronizados em grande escala precisam revisar periodicamente suas cláusulas, principalmente quando existem penalidades, regras de cancelamento, fidelização, limitações de responsabilidade ou outras condições que possam gerar desequilíbrio relevante entre as partes.

Práticas abusivas podem existir além do contrato

Um dos erros mais comuns na gestão do risco consumerista é concentrar a análise jurídica apenas nos documentos contratuais.

Uma empresa pode ter um contrato juridicamente bem estruturado e, ainda assim, apresentar vulnerabilidades relevantes na operação.

Políticas comerciais, scripts utilizados pela equipe de vendas, campanhas promocionais, jornadas digitais, regras de cobrança, atendimento ao cliente e processos de cancelamento também precisam estar alinhados às normas de proteção ao consumidor.

Isso significa que a prevenção jurídica deve acompanhar o funcionamento real do negócio.

Quanto maior o volume de consumidores e de transações, maior tende a ser o impacto de uma prática inadequada replicada em escala.

Uma falha aparentemente pequena pode gerar centenas de reclamações semelhantes, processos judiciais, atuação de órgãos de proteção ao consumidor e danos à reputação da empresa.

Como reduzir riscos relacionados ao direito do consumidor

Para as empresas, o compliance consumerista deve ser tratado como parte da gestão de riscos.

Uma revisão preventiva pode envolver a análise de contratos, ofertas comerciais, políticas de cobrança, materiais publicitários, processos de venda, canais digitais e procedimentos de atendimento.

Também é importante avaliar se aquilo que está previsto juridicamente é efetivamente praticado pelas equipes envolvidas no relacionamento com o consumidor.

O objetivo não é apenas evitar uma eventual condenação judicial.

Uma estrutura comercial juridicamente consistente reduz conflitos, melhora a previsibilidade da operação e permite que decisões comerciais sejam tomadas com maior segurança.

Prevenção jurídica também faz parte da estratégia empresarial

Conhecer os limites impostos pelo Código de Defesa do Consumidor não é uma preocupação exclusiva de empresas que já enfrentam reclamações ou processos.

A análise preventiva permite identificar vulnerabilidades antes que elas se transformem em passivos.

Para empresas com operações comerciais mais complexas, revisar periodicamente contratos e processos de relacionamento com consumidores é uma medida de governança que contribui para reduzir riscos jurídicos e tornar a operação mais segura.




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Solução de conflitos. Hipóteses de encerramento da parceria. Quanto mais detalhado for o instrumento jurídico, maior será a segurança para todos os envolvidos. Joint venture ou contrato de parceria? Embora sejam frequentemente confundidos, esses institutos possuem finalidades diferentes. Enquanto uma parceria comercial pode se limitar à prestação de serviços ou fornecimento de produtos, a joint venture pressupõe uma atuação conjunta para atingir um objetivo comum, normalmente envolvendo compartilhamento de riscos, investimentos e resultados. A definição do modelo jurídico mais adequado depende das características de cada negócio. Como saber se a joint venture é a melhor opção? Antes de seguir esse caminho, algumas perguntas podem ajudar: Existe um objetivo comum claramente definido? As empresas possuem competências complementares? Os riscos e investimentos serão compartilhados? Há interesse em uma relação de médio ou longo prazo? 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